As referências sobre o local onde situa-se o Município de Santiago, datam desde a época em que ocorreu a ampliação das Missões do Paraguai, quando os Jesuítas, alcançando a margem oriental do rio Uruguai, fundaram povoações em territórios do Rio Grande do Sul, no século XVII.
Com a introdução do gado em 1634 pelos Jesuítas, organizaram-se pequenos currais nas cercanias dos povoados. Para transportar o gado das grandes estâncias até as aldeias, distribuídas no Planalto Meridional, utilizavam-se os desfiladeiros em Santa Maria da Boca do Monte e de Santiago do Boqueirão.
Assim, a Coxilha Seca que se prolonga até as terras baixas de São Francisco de Assis e que começa na elevação das nascentes dos rios Itu e Curuçu - o chamado Boqueirão - era uma passagem natural do gado procedente das estâncias missioneiras.
Já em 1753, as partidas de demarcação, organizadas para dar cumprimento ao estabelecido pelo Tratado de Madri, foram impedidas de dar prosseguimento ao seu trabalho por uma barreira formada no posto avançado de São Tiago, da Estância de Santo Antônio, que pertencia ao povo de São Miguel.
Conta-se, também, que em 1756 foi erguida uma capela pelos padres jesuítas em homenagem ao Santo Apóstolo Tiago, decorrendo daí o nome do Município.
Em torno de 1860 iniciou o processo que acelerou modificações na paisagem humana das Missões. Funda-se a quatro léguas do povo de São Luís, uma colônia que assentou 350 alemães, 14 belgas, 5 franceses e 4 suíços.
O coronel José Maria Pereira de Campos foi encarregado de organizar a colônia de Ijuí que traria mais europeus à região.
Os italianos começaram a chegar no final da década de 80, do século passado, com o estabelecimento da colônia de Jaguari, estendendo-se até as localidades de Sanga da Areia e Ernesto Alves.
Em 1834, Arsene Isabelle, diplomata francês radicado em Montevidéu, em viagem pelas regiões missioneiras, refere-se à localidade de Boqueirão de Santiago, onde registra a existência de três ou quatro chácaras e estâncias, constatando a escassez de habitantes.
Se os alemães e os italianos foram predominantes no fluxo de imigração européia na região missioneira, elementos de outras nacionalidades também trouxeram sua valiosa contribuição, como suíços, belgas, poloneses e franceses. Em síntese, as colônias estabelecidas a partir de 1860 na região missioneira proporcionaram diversificação de tipos humanos no Município de Santiago, como nos Municípios vizinhos, de procedência predominantemente européia.
Origem do Nome do Município
De acordo com o Bacharel Valdir Amaral Pinto, Santiago foi um território habitado pelos índios e se constituía numa parte da Estância Jesuítica de São Miguel. Era a Estância de São Thiago ou Santiago.
Foi construída no Município a Capela de São Thiago, que pertencia a essa Estância de São Miguel e que se situava, de acordo com pesquisas de historiadores, no local que é hoje a Fazenda da Forqueta, de propriedade da sucessão de Dona Joaquina Lopes, a 15 Km da cidade.
Neste local, até 1930 podia-se constatar a existência de paredes de pedras. Em 1756, houve a Batalha de Caiboaté, em que faleceu Sepé Tiaraju. Essa batalha aconteceu no interior do Município de São Gabriel e os índios, após a chacina que ocorreu lá, regressaram às Missões, que se chamava El Boquerón de Las Sierras.
O que era o Boqueirão?
Boqueirão significava passagem, abertura, largo. Chamava-se, então, de Boqueirão a abertura que permitia o trânsito de tropas e de pessoas que demandavam das missões para a fronteira, e não gostariam de enfrentar a mataria e as serras de Jaguari, na qual incluía-se a cidade de Santiago e o atual Boqueirão. A outra abertura que ligava as Missões à fronteira, era pela serra de São Martinho. Quando os índios retornaram de São Gabriel, derrotados, a primeira oportunidade que tiveram de um descanso maior foi na capela da Estância de São Thiago, que se situava junto ao Arroio São Lucas, onde foi rezada a primeira missa pela alma de Sepé Thiaraju, segundo as informações contidas no diário do Padre Thadeu Enis, que era um jesuíta da Redução de São Miguel e acompanhava os índios.O diário do Padre Thadeu Enis foi publicado muitos anos após, neste século, pela imprensa nacional e acredita-se que ele mesmo tenha rezado esta primeira missa. Diante disso, acredita-se que a origem do nome de Santiago esteja mesmo ligada ao santo Santiago. Existem lendas de que o nome de Santiago seria uma homenagem a um espanhol que tinha vindo da Colônia do Sacramento se estabelecer no Boqueirão e se chamava “Santiago”.Somente com acesso ao Diário do Padre Thadeu Enis é que ficou que o nome de nossa cidade é em homenagem ao Santo. Em 1834, um outro viajante, também francês, passou aqui neste local, onde localiza-se nossa cidade. Foi Arsene Isabele, vindo de São Borja até aqui. E em 1834, conforme relata em seu livro ele encontrou neste local quatro chácaras às cabeceiras de um riacho cristalino, que seria o Itu, cujas nascentes estão na cidade, próximas à Cooperativa Regional Tritícola Santiaguense Ltda.
De Santiago, Arsene Isabele
rumou para São Francisco de
Assis, antiga redução de São
Thomé, e passou por “El
Boquerón de las Sierras” que
existe até hoje.
Um outro viajante deixou
suas impressões em livros:
Hemetério Velloso da
Silveira, pernambucano que
viera para o Rio Grande do
Sul como Juíz de Direito e
depois, abandonando a
Magistratura, passou à
advocacia e andando por todo
o Rio Grande a cavalo, para
atender sua profissão e
costumava passar por São
Thiago, quando vinha a São
Borja, que era um povoado
bem mais antigo e inclusive
possuía Juíz. Hemetério
Velloso da Silveira esteve
aqui em 1856, como relata em
seu livro “As Missões
Orientais e Seus Domínios”.
Ele esteve
na fazenda de Inácio Gomes
dos Santos, numa reunião
para tratar com ele e mais
alguns membros da comunidade
( já existiam várias casas
de comércio e casas de
famílias em Santiago ) sobre
a construção de uma capela,
onde, hoje se situa a Igreja
Matriz. E que
fazenda era essa? Por uma
coincidência extraordinária
onde em 1756 (cem anos
atrás) havia sido rezada a
primeira missa pela alma de
Sepé Thiaraju. Vejam que
temos um lugar duplamente
histórico e pouco conhecido,
a merecer uma visita de
todos nós. Atualmente, ainda
restam nessa fazenda valos
divisórios e restos de
construções antigas feitas
de pedras. Há uma série de
livros sobre Santiago, mas
nenhum esgota o assunto.
São essas as versões sobre a origem de Santiago. O assunto fica em aberto, pois não podemos chegar a uma palavra final. Segundo pesquisas e estudos, Valdir Amaral Pinto está convencionado de que o nome de nossa cidade está ligado ao Santo católico, o que confere com a nossa formação missioneira.
Veja abaixo algumas fotos da cidade de Santiago:
