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O Radioamadorismo é uma atividade muito interessante, principalmente quando se inicia precocemente, como no meu caso. Aos 10 anos de idade já tinha uma grande dedicação a tudo que pudesse aprender sobre as atividades ligadas a radio-comunicação, entre vários tipos de leituras me dedicando a ouvir estações em ondas-curtas de outros países e continentes. Por volta dos 11 anos de idade, morando em São Bernardo, região do ABC Paulista, ganhei de meus pais o meu primeiro radio, era um PX com apenas 23 canais, que em 1979 era um equipamento modesto mas que permitia manter contatos com outros operadores da chamada faixa-do-cidadão das proximidades e também permitir que o interesse em montar e aperfeiçoar antenas pudesse ser praticado. Nesta época os 11 metros, famosa faixa-do-cidadão (PX) era formada por muita gente interessada em desenvolvimento técnico e na conquista de novos amigos, exitiam dezenas de PX clubes e associações, haviam contestes que distribuiam diplomas comemorativos particamente todos os fins de semana e muita gente organizando e promovendo eventos. Um dos eventos mais interessantes que os PX clubes promoviam eram as caças-a-raposa, onde vários grupos em automóveis equipados com antenas direcionais buscavam localizar uma estação transmissora de localização desconhecida pelos concorrentes, ganhava quem localizava a estação em primeiro lugar, a área de validade normalmente era toda a cidade de Santo André ou São Caetano. Para uma criança de 11 anos participar de uma equipe de caçadores era uma grande aventura.
Por volta de 1980-1981 e já com um radio PX com SSB (single side band) passei a me dedicar a fazer comunicados de longa distância, com países da América do Sul e Europa principalmente e já munido de antena direcional e amplificador linear (famosa botina). Com 13 anos de idade voltava da escola e ligava meu saudoso Cobra 148GTL, ajudado por uma linear MAC L500B e uma antena direcional de 3 elementos e passava quase todas as tardes fazendo os DX's (contatos de longa distância) que tanto me fascinavam e pelos quais adquiri um conhecimento de geografia que me orgulhava e que muito me ajudou na escola.
Mas meu objetivo dependia de esperar completar 14 anos, pois com esta idade eu poderia prestar a prova para ingresso ao radioamadorismo classe C que não via a hora de prestar. Logo após completar os 14 anos de idade, prestei a prova e consegui meu primeiro e único prefixo de radio-amador brasileiro PY2MTB. E ganhei o presente mais valioso que me lembro da minha infância/adolescência, um radio HF da Yaesu. Me dediquei inteiramente ao DX's mas, por uma inclinação natural e inexplicável, todos os contatos que fazia eram em telegrafia CW, que aprendi de forma muito rápida e tinha uma facilidade extrema em me comunicar através do código morse. O ano era 1982 e fazia em média 15 contatos em CW por dia, colecionando um número de países e ilhas oceânicas contatados cada vez maior.
Só que no radioamadorismo, como na vida, o objetivo é ser cada vez melhor e mais habilitado, para tal, eu precisava estar habilitado na classe B para poder operar em um maior número de bandas e com potência de transmissão maior. Para a classe B, na época, era permitido operar em todas as bandas com exceção dos 20 metros em fônia e com uma potência de 1000W de entrada. Mas novamente dependia de esperar completar os 18 anos para prestar a prova que incluia radio-eletricidade a telegrafia.
Quando completei os 18 anos, a minha primeira ação foi prestar a prova e garantir meu ingresso a classe B e novamente esperar mais 1 ano para prestar a classe A, classe máxima do radio-amador brasileiro. Interessante que prestei a prova da classe B antes mesmo de pensar em tirar minha carteira de habilitação para dirigir, mesmo porque, já dirigia diariamente desde os 16 anos de idade sem problemas, mas para operar em mais bandas de frequências precisava da habilitação de classe B que era muito mais importante para mim do que dirigir com habilitação. Cada um com seus objetivos ... hi,hi,hi
Quando completei 19 anos, prestei a prova para a classe A e desafiei o aplicador do Dentel (agora ANATEL) a colocar a gravação de telegrafia no máximo para ver se eu pegava todas as palavras e, como eu esperava, não perdi uma letra sequer... glória para quem tinha o CW como uma coisa muito importante... cada louco com sua mania...
Fico surpreso quando penso que estou envolvido com rádio a quase 25 anos e meu prefixo - velho companheiro - PY2MTB (Papa Yankie Two Mike Tango Bravo) - já tem mais de 21 um anos de idade... acho que não se tratava apenas de uma mania de criança...