>>> Radioamadorismo >> O Começo...

O radioamadorismo apareceu em minha vida como uma curiosidade espontânea, mais ou menos como ocorreu com outras coisas, não conhecia ninguém que era ligado a este meio e de repente caiu em minhas mãos um informativo da Labre, o QTC Bandeirante, que foi entregue por engano no apartamento que meu avô morava no bairro do Jabaquara em S. Paulo. Ele, que não fazia a mínima idéia do que se tratava o assunto do jornal, guardou a correspondência para devolver ao carteiro, no fim de semana fui visitá-lo e encontrei o jornal. Fiquei muito curioso pelo que estava sendo tratado pelos artigos e colunas do jornal e queria entender o que eram todas aquelas coisas escritas naquele jornal, eu tinha 9 anos de idade, e não fazia a mínima idéia de como eu poderia entender do que se tratava tudo aquilo.

Cerca de uma ano depois, ganhei de meus pais um par de Walktalkies para brincar. Para minha surpresa, as vezes captava os contatos entre pessoas que falavam uma quantidade de gíria incrível e não tratavam de nada do que aqueles velhos artigos daquele jornalzinho da Labre tratava. Ficava tentando interpretar aqueles papos entre maracanudos, pés-de-borracha, botina-preta, macaco-preto, modular os gordurames e outras gírias ridículas e engraçadas. Nesta época depois de interpretar um monte de gírias descobri que um amigo da família era PX e passei a fazer algumas visitas a ele e ver como eram os radios de PX e os códigos usados pelos usuários da famosa faixa-do-cidadão (citizen band). Nesta época a coisa era organizada com clubes, contestes e as divertidissimas caça-a-raposa (competição de localizar uma transmissão por estações móveis equipadas com antenas direcionais) que os grupos organizavam.

Quando eu tinha 11 anos de idade ganhei meu primeiro rádio e rapidamente fiz uma série de amizades com os operadores de São Bernardo, e como eu havia mudado para a cidade vindo de Santo André eles foram meus primeiros amigos na cidade. Passava horas e horas conversando no rádio e sempre nos encontrávamos, nesta época conheci o João, o Eduardo e o Paulo que tempos depois tornaram-se radioamadores telegrafistas como eu. Mas enquanto PX a atividade que me atraia era o DX e fiz muitos contatos em portunhol e inglês macarrônico.

Esperei completar 14 anos para poder prestar a prova para radioamador classe C e logo que recebi o prefixo em 82 entrei em atividade. Meu primeiro contato foi em telegrafia (CW) e passei a fazer telegrafia como modo único de operação e colecionar Países (DXs). Nesta época tinhamos um grupo, o ABCW e o Sr. Rubens PY2CQM era o grande mentor e incentivador dos jovens radioamadores. Nesta turma estavam: PY2OKE (NQ) - Joe/João, PY2MKL(RN) - Edu, PY2ONV (Pit/Guilherme), PY2SDA - Paulo e o PY2RNJ - Erwin.

Meu prefixo sempre foi o mesmo desde 1982 - PY2MTB e mantenho o hábito de fazer telegrafia e hoje alguns modos digitais como RTTY, PSK31 e packet radio. Sem dúvida o radioamadorismo teve uma presença marcante na minha vida desde cedo e me trouxe habilidades interessantes e vários conhecimentos não convencionais de se encontrar nas pessoas.