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Meu interesse por vela nasceu de uma maneira pouco comum, apesar de sempre estar em contato com o mar desde de minha infância e ter passado grande parte de minha adolescência descendo para o litoral em busca de ondas para surfar, a idéia de velejar em um barco veio nascendo aos poucos sem que eu tenha me envolvido com pessoas ou situações que me levassem a ter este desejo.

Primeiramente passei a me interessar por lanchas, muito por que a esmagadora parte das publicações náuticas brasileiras falam só sobre elas e ainda sobre uma perrpectiva das revistas nacionais que apresentam o produto como um simbolo de status um tanto quanto "playboysístico" o que me levou a sentir que aquele mundo não era para mim... até que um dia chegou as minhas mãos uma revista francesa denominada Voile, a partir desta e de outras revistas estrangeiras passei a perceber que os veleiros eram mais do que um instrumento de lazer para a família e amigos e sim um modo de vida onde existiam infindáveis oportunidades de se aprender sobre as forças da natureza, sobre física, elétrica, mecânica e, principalmente, permitiam a convivência com um seleto grupo de pessoas das mais diversas origens, mas de um senso comum extraordinário - estava aí a descoberta, o mundo da vela oceânica começava a se apresentar para mim - não se tratava de um barco mas sim de uma filosofia de vida simples e valorosa que era difundida pelas pessoas que optaram por este mundo, das mais diversas maneiras, foi neste ponto que as minhas duas paixões se cruzaram o Radioamadorismo e a Vela Oceânica. A química da atração pela coisa estava montada...

Minha paixão por radioamadorismo começou quando ainda era criança, me envolvi com rádio aos 11 anos de idade em 1979 e aos 12, já fazia contatos em fonia com vários países, aos 13 iniciei a minha paixão por CW (radiotelegrafia), tornando-me radioamador prefixado desde 1982 e como radioamador Classe A desde 1986. Depois de ter vários ciclos de aprendizado no radioamadorismo como telegrafista e DXista, passando por experiências nos mais diversos protocólos digitais de comunicação entre radioamadores, como RTTY, Packet Radio, PSK31, WFAX. Passei a acompanhar as rodadas do Rafael (Ilhas Canárias) e da D. América que davam suporte a velejadores espalhados pelos 4 grandes oceanos, desta forma estavam unidos de uma maneira muito forte os dois assuntos: radio e vela oceânica.

Passei a me indagar por que no Brasil os barcos a vela eram tão poucos, por que eram tão raros, eu nunca havia visto um navegando em frente as praias que frequentava, a não ser pequenos barcos monotipos na baia de Santos... A partir deste ponto passei a procurar intensamente por informações sobre a prática de vela no Brasil e assim vagarosamente fui descobrindo publicações e informações na internet que davam conta da existência da coisa e do tamanho desta comunidade.