>>> O Veleiro Levante >>> A Reforma ...

A primeira subida em terra (a gente nunca mais esquece) nosso veleiro foi a terra para a troca do nome de Kokimbo's para Levante e ainda uma nova pintura de fundo, para tal seria necessária uma pintura nova em PU em seu costado, pois o nome era pintado a esmalte no costado e no espelho de popa. Desta forma foi contratado um profissional para fazer a pintura, o barco subiu a terra através do travel-lift (ponte rolante sobre rodas) por volta de Dezembro de 2001. A previsão de tempo para pintar o costado e fundo era de aproximadamente 2 semanas e o trabalho se iniciou quase que imediatamente após a sua subida em terra.

Vale lembrar que a esta altura não conheciamos o conceito dos meses reais e dos meses náuticos que por uma razão pouco explicável valem de 2 a 10 vezes mais, dependendo de uma série de fatores, como seguem:

- quantidade de serviços que o profissional pode pegar junto com o seu serviço (que segundo eles é infinita, mesmo que eles afirmem o contrário);

- quantidade de chuvas durante a obra (sempre chove mais no estaleiro do que em qualquer outro lugar do planeta);

- a capacidade de enrolação e a responsabilidade do profissional contratado;

- a indicação de obras anteriores feitas pelo mesmo profissional na mesma marina;

- sua sorte de proprietário amador e sua fé que um dia o barco ficará pronto;

Desta forma seguiu-se o mês de Dezembro e com cerca de 1 mês e meio de obra o barco voltou para a água, significando que neste caso 2 semanas tornaram-se 7 semanas (fator de mês náutico = 3,5) o que para uma primeira subida em terra de um veleiro recém adquirido não foi tão ruim. Assim tivemos o final do mês de Janeiro/2002 em diante para curtir umas velejadas por Santos. Nossos planos era velejar durante o verão e colocar o barco em terra novamente no inverno para uma série de mudanças e melhorias. Mas o verão durou menos do que imaginamos para as nossas velejadas...

A segunda subida em terra ocorreu logo no final de Fevereiro, o que significou quase 2 meses de velejadas durante férias e carnaval, a subida ocorreu devido a quebra do túnel do eixo do motor devido a quebra de um coxim de apoio que estava em mau estado e, que para nossa felicidade, também comprometeu a carcaça do reversor, o que foi percebido quando da retirada do motor para a laminação do novo túnel do eixo.

Assim o escopo da obra de consertar o túnel do eixo do motor evolui para trocar a carcaça do reversor também e foi ai que eu me deparei com um problema, o motor Mold 22 foi fabricado pela Mold de Joinville durante a década de 80 e foi descontinuado, mas por sorte, através da rodada de rádio em SSB da D.América encontrei um velejador/radioamador de Curitiba, o Roberto - PY5BIG, que me passou as coordenadas da empresa que comprou e sucedeu a Mold em Joinville-SC. Trata-se da RS Máquinas que detem as formas e ferramentas para fabricar as peças de reposição deste motor e seu reversor, desta forma comprei todas as peças necessárias mais os coxins e todos os jogos de juntas e anéis para uma reforma geral do motor. A RS Maquinas ainda me indicou o mecânico mais ligado a fábrica que fazia a manutenção deste motor diesel para uso marítimo em São Paulo.

Mas, apesar das indicações da fábrica, optei por deixar o motor a cargo de um mecânico do Guaruja indicado pelo responsável pelo conserto do túnel, o que foi uma escolha ruim, pois apesar do conhecimento do José Oscar Bentini, que é um dos melhores construtores de barcos de aço que conheço, o mecânico que ele indicou passou a não mais dar satisfações sobre o andamento da reforma do motor ao José Oscar que, por sua vez, não podia me dar uma previsão do tempo estimado para a reforma, este impasse e a chegada das peças corretas consumiu cerca de 8 meses, isto mesmo, cerca de 240 dias de cobranças até que o Zé Oscar localizou o motor intacto na oficina já desativada do Zé Roberto no Guarujá. Se não fosse a nossa persistência e a do José Oscar, nunca mais teriamos recuperado o motor e as peças entregues para o conserto.

Uma vez recuperado o motor decidi finalmente seguir a dica da RS Máquinas e contatar o Alberto (Nauticar) de São Paulo que retirou o motor com o Zé Oscar assim que ele conseguiu recuperá-lo da oficina fantasma do Zé Roberto que quase ficou para sempre com o motor do Levante.

Uma vez o motor já em mãos do Alberto iniciou-se a reforma geral do motor com uma retifica de camisas de pistão e faceamento do bloco do motor feito pela retífica Santilli de SP e a troca de todas as peças de desgaste e também do virabrequim. Todas as juntas forma trocadas pelo kit original e os bicos injetores também foram substituídos. Em suma o motor foi totalmente reformado pela substituição de uma lista enorme de ítens.

Já que estavamos em terra - (os perigos da síndrome conhecida como - "já que estamos mexendo vamos aproveitar para...") - durante os 8 ou 9 meses às voltas com a recuperação e reforma do motor nos pareceu pertinente fazer algumas reformas na parte interna do Levante; como a construção de uma mesa de navegação exatamente como a original que havia sido alterada e um envernizamento geral do madeiramento interior do barco para deixá-lo com uma aparência renovada que o deixou brilhante como novo.

Quando estas melhorias acabaram no interior do barco a cozinha estava visivelmente diferente do resto que estava novo e o convés estava destoando, pois como foi retirado o Dog House de fibra para permitir a retirada do motor o novo acabamento do serviço colocou uma área novinha no convés em contrapartida com todo o resto que apresentava uma pintura já envelhecida..

Assim decidimos partir para uma reforma geral de pintura e anti-derrapante de convés e de pintura completa de mastro e construção de uma nova galley (cozinha), bem como a substituição de todas as gaiutas, acrílicos e ferragens do convés e a substituição de válvulas de esfera do casco para garantir a segurança.

- mais algumas fotos das fases da reforma geral do veleiro:

- desmontagem;

- mastro retirado;

- montagem após pintura geral e antiderrapante;

- o responsável pela mão de obra; Mestre Hamilton;

- o retorno as águas;

- mudança de nome para Levante (texto)

- o novo Levante voltando a navegar ...

- a inauguração com direito a champanhe (Marcelo Brasil, Dieter, Graça, Rodrigo, Glauce e o pequeno tripulante)

- sendo rebatizado na água

- Gira na proa

- aparência do interior após a reforma:

- dinete a bombordo